A rinite alérgica é uma condição crônica que afeta milhões de pessoas em todo o mundo, causando sintomas como espirros frequentes, coriza, congestão nasal e coceira no nariz, olhos e garganta. Esses sintomas são desencadeados por substâncias chamadas alérgenos, como pólen, ácaros, pelos de animais e mofo. Para quem sofre de rinite persistente e não encontra alívio com medicamentos convencionais, a vacina para rinite (imunoterapia alérgeno-específica) pode ser uma solução eficaz e duradoura.
A vacina para rinite é um tratamento que visa reduzir a sensibilidade do sistema imunológico a substâncias que desencadeiam a alergia. Diferente dos medicamentos antialérgicos, que apenas aliviam os sintomas temporariamente, a imunoterapia atua na causa do problema, promovendo uma dessensibilização progressiva e duradoura.
O tratamento consiste na aplicação de doses graduais do alérgeno ao qual o paciente é sensível. Com o tempo, o organismo se acostuma a essa substância, diminuindo a resposta alérgica e, consequentemente, os sintomas da rinite.
A imunoterapia pode ser administrada de duas formas principais:
Esse método consiste na aplicação de pequenas doses do alérgeno por meio de injeções subcutâneas, geralmente no braço. O tratamento é dividido em duas fases:
Fase de indução: As doses são aplicadas semanalmente ou quinzenalmente, com aumento progressivo da concentração do alérgeno, até atingir a dose máxima tolerada pelo paciente. Essa fase dura de 3 a 6 meses.
Fase de manutenção: Após atingir a dose ideal, as aplicações passam a ser mensais e são mantidas por um período de 3 a 5 anos.
Nesse método, a vacina é administrada em gotas ou comprimidos dissolvidos sob a língua, facilitando o uso domiciliar. Assim como na forma injetável, a dose do alérgeno é aumentada progressivamente até a fase de manutenção.
A imunoterapia é indicada para pacientes que apresentam:
Rinite alérgica moderada a grave, especialmente quando os sintomas persistem apesar do uso de medicamentos.
Alergia confirmada a ácaros, pólens, fungos ou epitélios de animais, identificada por testes alérgicos.
Necessidade frequente de medicamentos antialérgicos ou corticoides para controlar os sintomas.
Casos em que a rinite interfere significativamente na qualidade de vida, no sono e nas atividades diárias.
A imunoterapia oferece diversas vantagens para os pacientes, incluindo:
Redução dos sintomas: Diminui significativamente espirros, congestão nasal e coceira.
Menor necessidade de medicamentos: Reduz a dependência de anti-histamínicos e corticoides.
Efeito prolongado: Mesmo após o término do tratamento, muitos pacientes continuam sem sintomas por anos.
Prevenção da evolução para asma: Estudos mostram que a imunoterapia pode reduzir o risco de desenvolvimento de asma em crianças com rinite alérgica.
Antes de iniciar a imunoterapia, o paciente deve passar por uma avaliação com um especialista para confirmar a alergia e definir a composição da vacina. Alguns exames, como o teste alérgico cutâneo ou o exame de sangue (IgE específica), podem ser solicitados para identificar os alérgenos responsáveis pelos sintomas.
Além disso, é importante seguir algumas recomendações:
O tratamento deve ser realizado sob supervisão médica para monitoramento de possíveis reações adversas.
Pacientes com doenças autoimunes, imunodeficiências ou que fazem uso de certos medicamentos podem não ser candidatos à imunoterapia.
A imunoterapia deve ser mantida pelo período indicado para garantir seus efeitos duradouros.
A vacina para rinite é considerada segura, mas alguns pacientes podem apresentar efeitos leves, como vermelhidão no local da injeção, coceira ou leve inchaço. Em casos raros, podem ocorrer reações alérgicas mais graves, como falta de ar ou queda de pressão. Por isso, é fundamental que as aplicações subcutâneas sejam feitas em ambiente médico supervisionado.
A vacina para rinite é uma opção de tratamento altamente eficaz para quem sofre de alergias respiratórias persistentes. Além de reduzir significativamente os sintomas, ela melhora a qualidade de vida e pode prevenir complicações futuras, como o desenvolvimento de asma. Se você tem rinite alérgica e busca uma solução duradoura, consulte um especialista para avaliar se a imunoterapia é a melhor opção para o seu caso.
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